Neste artigo, abrimos as portas da coleção particular de Stroll. Vamos explorar máquinas que definiram eras, desde o "Santo Graal" das Ferraris dos anos 60 até a brutalidade tecnológica da era Schumacher.
por Murillo Cerchiari
Fundador The Garage
Muitos conhecem Lawrence Stroll apenas como o chefão bilionário da equipe Aston Martin na Fórmula 1 ou como o magnata que construiu uma fortuna no mundo da moda. No entanto, para os verdadeiros puristas do antigomobilismo, a conta bancária de Stroll importa menos do que o seu gosto impecável. A garagem de Lawrence Stroll: onde o luxo acelera, não abriga apenas carros; ela protege a história do automobilismo.
O DNA Ferrari: Mais do que um Colecionador
Antes de analisarmos as máquinas, precisamos entender o homem. Lawrence Stroll cultiva uma paixão que precede sua fama na F1. Durante anos, ele comandou a concessionária Ferrari de Quebec e foi proprietário do lendário circuito de Mont-Tremblant. Consequentemente, Stroll não apenas “compra” Ferraris; ele vive a marca. Essa vivência profunda permitiu que ele curasse uma das coleções monomarca mais invejáveis do planeta. Ele enxerga cada veículo como uma obra de arte cinética.

A Joia da Coroa: Ferrari 275 GTB/4S N.A.R.T. Spider (Anos 60)
No centro dessa coleção brilha a Ferrari 275 GTB/4S N.A.R.T. Spider. Não por acaso, especialistas consideram este modelo uma das Ferraris mais valiosas e raras da história. Para se ter uma ideia da exclusividade, a fábrica de Maranello produziu apenas 10 unidades deste conversível para o mercado norte-americano. Naturalmente, Stroll assegurou uma dessas raridades. Acima de tudo, este carro representa o auge do grand touring dos anos 60, combinando a elegância italiana com um motor V12 que canta uma melodia inconfundível.

O Monstro do Grupo B: Ferrari 288 GTO (1984-1987)
Avançando para a década de 80, encontramos a gênese dos supercarros modernos. A Ferrari projetou a 288 GTO para dominar as perigosas corridas de rali do Grupo B. Infelizmente, a FIA extinguiu a categoria antes que o carro pudesse competir. O resultado? A Ferrari decidiu vender ao público um monstro com motor V8 Biturbo. Com apenas 272 unidades de rua fabricadas, a 288 GTO iniciou a linhagem de elite que reverenciamos hoje.

F1 para as Ruas: Ferrari F50 (1995-1997)
Para celebrar os 50 anos da marca, a Ferrari tomou uma decisão audaciosa: colocou um motor de Fórmula 1 em um chassi de rua. A F50 carrega um motor V12 aspirado derivado diretamente do carro de competição de 1990. Além disso, os engenheiros integraram o motor como um “membro estrutural” do chassi. Isso significa que o piloto sente cada vibração e ouve o ronco do motor sem filtros. Stroll mantém esse ícone purista, que oferece uma experiência de pilotagem crua e visceral.

A Era da Tecnologia: Ferrari Enzo (2002-2004)
Na virada do milênio, a Ferrari homenageou seu fundador com um salto tecnológico absurdo. Na prática, a Ferrari Enzo trouxe a tecnologia da era Schumacher nas pistas diretamente para as estradas. Contudo, diferentemente de seus antecessores, a Enzo dispensou as asas traseiras gigantescas. Para garantir a estabilidade sem elas, a equipe de design apostou na aerodinâmica ativa. Simultaneamente, este modelo foi pioneiro ao introduzir os freios de carbono-cerâmica em carros de rua. Em suma, trata-se de uma verdadeira máquina do tempo que definiu o futuro da performance.

A Perfeição ao Ar Livre: Ferrari 458 Speciale A (2014-2015)
O sufixo “A” significa Aperta (aberta). A 458 Speciale A marcou o fim de uma era gloriosa: a dos motores V8 aspirados centrais. Stroll guarda este exemplar não apenas pela beleza, mas pelo que ele entrega: 597 cavalos que gritam até 9.000 RPM. Com um teto retrátil que abre em apenas 14 segundos, ela oferece a experiência auditiva definitiva para quem valoriza a engenharia mecânica em sua forma mais pura.

O Toque Britânico: Aston Martin DB5 Convertible (1963-1965)
Embora a paixão de Stroll pela Scuderia seja evidente, sua posição atual exige um toque britânico. E ele faz isso com estilo inigualável através do Aston Martin DB5 Convertible. Embora seja eternizado por James Bond, o DB5 na verdade une o design italiano (Carrozzeria Touring) à engenharia britânica. Estruturalmente, este modelo utiliza o refinado método Superleggera, com painéis de alumínio moldados à mão. Para completar a experiência, um motor potente de 6 cilindros impulsiona essa obra-prima de luxo e performance.

Uma Curadoria de História
A coleção de Lawrence Stroll transcende a mera acumulação de bens. Na verdade, ela narra a evolução do automóvel esportivo, desde a beleza artesanal dos anos 60 até a precisão aerodinâmica do século XXI. Diante de todo esse legado, agora queremos saber de você, entusiasta: afinal, se você pudesse escolher apenas uma chave dessa garagem para dar uma volta no domingo, qual seria?
Acompanhe nosso Instagram e fique por dentro das novidades.
Faça a estrada valer à pena!