28 de novembro de 2025 - Novidades

Por que Galisteu negou R$ 200 mil neste Fiat Uno?

Um Fiat Uno que vale R$ 200 mil? Parece loucura, mas essa é a história real do 'Mille' de Adriane Galisteu. Presente de Senna, esse carro popular carrega um valor inestimável e uma história que recusa qualquer oferta milionária.

por The Garage

Fundador The Garage

Por que Galisteu negou R$ 200 mil neste Fiat Uno? No universo do antigomobilismo de alto nível, existe um conceito sagrado chamado provenance (procedência). É o fator invisível que faz um Porsche de corrida de Steve McQueen valer milhões a mais que um modelo idêntico. Mas, ocasionalmente, essa lógica recai sobre o mais improvável dos candidatos. Na garagem de Adriane Galisteu, repousa um veículo que desafia as leis do mercado. Não é um V12 de Maranello, nem um flat-six de Stuttgart. É um Fiat Uno Mille Electronic, ano 1993. Um carro desenhado por Giorgetto Giugiaro para as massas, mas que, neste chassi específico, carrega uma aura que nenhum dinheiro pode comprar. Para nós, entusiastas, este Uno é mais que um presente de namorado; é um estudo de caso sobre como a narrativa supera a engenharia.

O Contexto de 1993: O Auge do Popular

Para entender a importância deste carro, precisamos olhar para o cenário automotivo do Brasil em 1993. Era o nascimento do “carro popular” com incentivo fiscal para motores 1.0. O Uno, com seu design “bota ortopédica” funcionalista e genial, reinava absoluto. Ayrton Senna, então no auge de sua carreira na Fórmula 1 e acostumado a domar máquinas como o Honda NSX e a McLaren MP4/8, perguntou a Galisteu qual era seu sonho de consumo. A resposta dela foi um choque de realidade: “Um Uno Mille”. Enquanto Senna vivia a complexidade da telemetria e da política da F1, Galisteu desejava a liberdade analógica de um carro 1.0.

Engenharia Honesta: O Coração Fiasa

Sob o capô deste exemplar azul, não encontramos turbos ou injeção direta. Encontramos a honestidade do motor Fiasa de 994 cm³. O sobrenome “Electronic” na tampa traseira, contudo, é um detalhe técnico saboroso para os puristas. O modelo 1993 marcava a transição tecnológica: ele abandonava o platinado em favor da ignição eletrônica mapeada, oferecendo modestos, porém valentes, 56 cv de potência. É um conjunto mecânico que exige interação. Sem direção hidráulica, sem ar-condicionado, sem ABS. A conexão entre motorista e asfalto é pura, sem filtros, algo que hoje, ironicamente, é buscado em carros esportivos de elite.

O Test-Drive do Rei de Mônaco

O que torna este Uno um “Santo Graal” nacional não é apenas quem o recebeu, mas quem o comprou. Ayrton Senna não apenas assinou o cheque. Relatos indicam que ele fez questão de dirigir o carro. Imagine a cena: o homem que detinha o recorde de pole positions da F1, testando a embreagem e o câmbio de um Uno Mille nas ruas de Tatuí (SP). Por alguns quilômetros, a sensibilidade que afinava carros de corrida de milhões de dólares foi aplicada a um popular brasileiro. Esse “toque de Midas” é o que separa este chassi de qualquer outro produzido em Betim.

O Estado da Arte: Um “Survivor”

Hoje, o carro ostenta a placa personalizada com as iniciais “DRI”, um mimo do piloto, que entregou o veículo com o interior abarrotado de rosas. Mas para o colecionador, o que brilha aos olhos é a condição de survivor. O Uno de Galisteu mantém a originalidade intacta. Não é um carro restaurado; é um carro preservado. Galisteu atua não apenas como proprietária, mas como curadora. Ela relata que o carro sai da garagem esporadicamente, apenas para girar o virabrequim, circular o óleo e manter as borrachas hidratadas. O pesadelo de qualquer carro parado.

O Veredito: R$ 200 Mil e a Recusa

Recentemente, a barreira do racional foi testada. Um colecionador ofereceu R$ 200.000,00 pelo veículo, um ágio astronômico sobre os R$ 6.000,00 da Tabela Fipe. A recusa de Galisteu foi imediata.Para ela, o Uno é um troféu. Para nós, observadores da cultura automotiva, é a prova de que carros são cápsulas do tempo. Aquele Uno Mille congela o momento em que a vida do maior ídolo do Brasil era, acima de tudo, humana e simples. No fim das contas, Galisteu, assim como Eric Clapton com suas Ferraris, entende que o valor de um carro não está no 0 a 100 km/h, mas na memória que ele evoca ao se girar a chave. E algumas memórias, felizmente, não estão à venda.

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